sábado, 25 de abril de 2009

Dia 15: work + soul + jazz + small talk + jogging + soul + jazz = happy day and all my sins are washed away!

Sábado... novamente dia de trabalho. Trabalho com gosto.
Eu e Carla desenvolvemos um projeto cultural para a clínica Casa Praia da Costa, onde trabalhamos. Lá atendemos paciente psiquiátricos e dependentes químicos. Sábado é dia de visita e pensamos em aproveitar a manhã para fazer uma intervenção em massa.

Nosso projeto cultural é um sarau. Fizemos laborátórios de textos com os pacientes (internos e de hospital dia) e colocamos suas produções, bem como as peças produzidas nas oficinas de artes (reciclados e cerâmica), em exposição. Claro que teve um lanchinho super legal e até uma paciente de hospital dia que recitou uma poesia ao final do sarau.

Infelizmente, faltou um detalhe importante: a música. Algo que eu não poderia ter esquecido, uma vez que estou aqui escrevendo este blog justamente sobre música. Mas, tudo bem... esse foi o primeiro sarau e muitos ainda virão por aí. No próximo eu capricho na playlist.

Chegando em casa, momento de descontração. Sarah Vaughan novamente na vitrola. No post anterior sobre o álbum, fiquei devendo algumas informações importantes. Sarah canta músicas brasileiras em inglês e tem participações super especiais em algumas faixas.

Em Bridges, Sarah Vaughan é acompanhada no vocal e violão por Milton Nascimento e nas flautas por Danilo Caymmi e Paulo Jobim. Em Triste, ela tem Tom Jobim no piano Yamaha. A faixa Courage traz novamente Milton Nascimento no vocal e violão, e Danilo Caymmi e Paulo Jobim nas flautas. Roses and Roses com Dorival Caymmi vira um dueto bilíngue maravilhoso. E na versão de Se todos fossem iguais a você (Someone to light up my life), Tom Jobim toca o piano novamente.

Álbum para nos lembrar que música brasileira tem seu lugar e deve ser motivo de orgulho. Toda a produção e as sessões de gravação foram feitas pela RCA no Brasil.

Logo em seguida tive um estalo e pensei rápido: Duke Ellington... Bem, o álbum de Ellington já tinha feito parceria com o de Sarah noutro dia. Por que mudar então? Sequência perfeita!

Pausa para um Small Talk agradável com amigos na Bauhaus.

Volto para casa, coloco o tênis e... uma corridinha na praia.




Ducha fria, energia reestabelecida, voltei para a vitrola. De novo escutando o que deu certo em outros dias: Etta James, Deep in the night, e Billie Holiday, Lady sings the blues.


Oh happy day... Oh happy day... And Jesus washes... Oh He washes... =)


sexta-feira, 24 de abril de 2009

Dia 14: the sound of white noise... noisy!

Para dar um gás no dia ensolarado de hoje, resolvi escutar a última peça do quebra-cabeças deste mês. Fui adiando o álbum do Anthrax o máximo que pude para sentir o impacto que teria ouvir heavy metal após tanto tempo só a base de Sinatra, Ella e Miles Davies.

Pedreira! Essa é a palavra. Interessante como nos anos de 1990 eu adorava essas coisas... tst tst tst Adolescente é um ser a parte.

Anthrax não era uma das bandas mais famosas do mundo, mas tem seu lugar. O som nem é tão pesado assim e as letras são bem estruturadas. Deste álbum tenho preferência por Only, segunda faixa do lado A.

Sem mais blábláblá...


Sound of white noise - Anthrax (1993)
Lado A
  1. potters field
  2. only
  3. room for one more
  4. packaged rebellion
  5. hy pro glo
Lado B
  1. invisible
  2. 1000 points of hate
  3. C11H17N2O2SNa
  4. burst
  5. this is not an exit
* Completamente "white noise"! Valeu pela lembranças dos velhos tempos...

Only - Anthrax
Everything is perfect
Everything is sick, that's it
You can't tell me to stop it
You can't tell me
not to quit, that's it

Revolve around yourself
It's you and no one else
Hard for me to stay
Swinging moods that change
From calmness to deranged
Unpredictable, unpredictable

You would see if
Only
You hadn't taken
things out of my hands
Only
You never wanted to understand

Clashing ways to live here
Compromise for me
I'm at both ends of the spectrum
You're somewhere in the between
Ah, come clean

Revolve around yourself
It's you and no one else
Hard for me to stay
Swinging moods that change
From calmness to deranged
Unpredictable, unpredictable

You would see if
Only
You hadn't taken
things out of my hands
Only
You never wanted to understand
Only
You hadn't taken
things out of my hands
Only
You never wanted to understand
Only
You hadn't taken
things out of my hands
Only
You never wanted to understand

Crucified, terrified,
sacrifice, my whole life
My whole life,
my whole life, my whole life
My whole life
If only...
If only…
I can't contain myself
I can't contain myself
I just can't take myself




Depois de uma corrida da praia pra gastar toda a energia do heavy metal, bem que eu merecia descansar os neurônios da pancada com algo mais suave.

Valeu um repeteco para mudar o ritmo. Solta o Milton... Milton Nascimento, Geraes.
Relax, man... =)


quinta-feira, 23 de abril de 2009

Aumente o som e curta algo diferente!




A minisérie da Globo deste janeiro passado não foi lá essas coisas. Desde a época de exibição queria escrever um post sobre e, sinceramente, acho que muitos leitores nem devem se lembrar direito da minisérie.

Enfim, o estilo ópera-rock dado à trama foi legal, produção impecável. O que devia ser copiado do clipe Elephant Gun da banda Beirut (abaixo), tema de Capitu e Bentinho foi feito numa boa e sem remorsos. Como gosto muito da letra e da melodia da música em questão, resolvi postar mesmo sabendo que a vida útil de uma obra televisiva atualmente não deve durar mais do que 15 segundos de fama. No universo, nada se cria, tudo se transforma...[lembro das aulas de Química do Mário na época de escola].





Mas isso é uma boa verdade: nós somos assim. Pensamos que estamos perdidos e a solução está embaixo do nosso nariz. Bem dizia Milton H. Erickson, precisamos utilizar os recursos disponíveis. Isso não é somente terapia, é marketing, é vida.




Beirut é uma banda com conceito musical interessante (ao menos ao meu gosto). Então resolvi colocar mais um clipe, da música Sunday Smile, para vocês curtirem.


Enjoy your life, seize every single day, you never know when God will take you away...



Fonte: ALPHA


quarta-feira, 22 de abril de 2009

Dia 13: Miles Davies back again!

Relax total com o genial Miles Davies...

Tallest trees, dose dupla (discos 1 e 2).
Tem coisas na vida que vale a pena repetir. Miles Davies, com certeza!

[Leia posts anteriores sobre o álbum> post 1, post 2]

Devo confessar que está difícil não ouvir música digital.
Acabo de furar o esquema vendo os videos do Kutiman. Muito bons!!!

Recomendo também ouvirem a Kung Fu Ko se for adepto de música eletrônica.


Abraços e bon voyage!

PS: Acho que vou sintonizar a Antena 1 no carro para variar...


terça-feira, 21 de abril de 2009

ThruYou


Projeto de mixagem do produtor israelense Kutiman está dando o que falar. ThruYou é uma colagem de vídeos diversos postados no YouTube e sincronizados como um vídeo único. O resultado é incrível!

Kutiman criou uma banda colaborativa virtual. Os artistas nunca se viram, nem se falaram, e Kutiman os coloca para tocarem juntos.

O ThruYou é composto por sete vídeo com inspiração eclética, passando pelo Funk, Afro-beat e Psicodélico.

(des/re)construindo
Esse é uma das possibilidades da Web 3.0. Acho que isso de Web 2.0 já ficou na História... Passamos do patamar no qual as pessoas dão feed back na Web, o que vale agora é criar o próprio conteúdo.

A trilogia de blogs long play experience, meu olhar sobre o mundo, bem como o projeto paralelo olhar sobre o mundo no Flickr que alimenta com fotografias os posts de poesia e prosa, e ALPHA é uma iniciativa minha de fazer algo que queria desde novo: falar e ser ouvido.

Hoje, com o avanço das tecnologias de informação, a famosa frase de Andy Wahrol tem grande potencial de se tornar verdade para quem se utiliza da Web para colaborar na construção ativa de um novo mundo. Todos podemos ter 15 minutos e devemos pensar o que vamos falar enquanto as pessoas estão nos ouvindo.


Você já preparou seu discurso?


Dia 12: Ella para acalmar a mente

Final de semana com direito a feriadão em família.

Pensei em levar a eletrola, mas o pessoal não gostou muito da idéia... O que não foi de todo ruim, porque assim tivemos tempo para matar a saudade e conversar muito.

Minha irmã me fez assistir o DVD da Claudia Leitte ao vivo no Rio. Caramba, é muito estranho se deparar com tipos de música tão populares em nossa terra e parecer coisa de outro mundo. Realmente essa experiência tem me levado a lugares antes inimagináveis.


Para salvar o feriado, minha queirda irmã também tem um DVD do Queen
 ao vivo no Rock'n'Rio. Valeu a pena ver aquela produção tosca dos anos 80 super ploc e lembrar que isso era o que havia de melhor na época.

Mas, isso foi ontem...



Hoje, chegando em casa, pude retornar aos experimentos e escutei novamente dois álbum de Ella: Take love easy (com Joe Pass) e Lady Time. Tranquilidade para coração e mente.


Paz de espírito é o que há! =)


sábado, 18 de abril de 2009

Dia 11: triple jazz, com direito a double Sinatra

Depois de uma semana puxada, é ótimo chegar em casa - após dar aulas no sábado... - tomar uma boa ducha e colocar um jazzinho para tocar. Durante a semana no carro, fiquei numa dieta musical um tanto quanto restrita: Rádio Cidade, Rádio Universitária, Oi FM.

Infelizmente, não pude usar a eletrola. Mas, sem problemas, tudo ocorreu no decorrer da semana por boas causas.

Enfim, voltando para o fim desse sábado maravilhoso...

Começamos escutando Peterson, Pass e Brown.


The Giants - Peterson & Pass & Brown (1978)
Lado A
  1. riff blues (O.E. Peterson)
  2. who cares (G. & I. Gerschwin)
  3. jobim (Pass/Peterson)
  4. blues for dennis (O.E. Peterson)
Lado B
  1. sunny (Kern/Hammerstein/Harbach)
  2. i'm getting sentimental over you (Bassman/Washington)
  3. caravan (Ellington/Mills/Tizol)
  4. eyes of love (Quincy Jones)
* Completamente relaxante... Genial!


E depois, um duplo sem gelo...


The jazz sides - Frank Sinatra (1979)
Disco II
Lado A
  1. fly ome to the moon (Bart Howard/Quincy Jones)
  2. old devil moon (Yip Harburg/Burton Lane/Billy May)
  3. in the still of the night (Cole Porter/Johnny Mandel)
  4. more (Ortolani/Olivero/Ciorciolina/Norman Newell/Quincy Jones)
  5. learnin' the blues (Dolores Vicki Silvers/Neal Hefti)
  6. star (Sammy Cahn/Jimmy Van Heusen)
Lado B
  1. let's face the music and dance (Irving Berlin/Johnny Mandel)
  2. i won't dance (Jerome Kern/ Dorothy Fields/Jimmy Mc Hugh/Neal Hefti)
  3. they can't take that away from me (George & Ira Gerschwin)
  4. poor butterfly (R. Hubbell/Golden/ Billy May)
  5. serenade in blue (Harry Warren/Mack Gordon/Billy May)
  6. don't worry 'bout me (Ted Koehler/Rube Bloom/Quincy Jones)

Disco III
Lado A
  1. sunny (Bobby Hebb/Billy May)
  2. ain't she sweet (Milton Ager/Jack Yellen)
  3. you brought a new kind of love to me (S. Fain/I. Kahal/P. Norman)
  4. i only have eyes for you (Al Dubin/Harry Warren/Neal Hefti)
  5. hallelujah, i love her so (Ray Charles)
  6. the best is yet to come (Cy Coleman/Carolyn Leigh/ Quincy Jones)
Lado B
  1. the tender trap (Sammy Cahn/Jimmy Van Heusen/Neal Hefti)
  2. all i need is the girl (Stephen Sondheim/Jule Styne/Billy May)
  3. i love you (Cole Porter/Neal Hefti)
  4. i've got my love to keep me warm (Irving Berlon/Johnny Mandel)
  5. i believe in you (Frank Loesser/Quincy Jones)
  6. you make me feel so young (Joseph Myrow/Mack Gordon/Quincy Jones)

* Todas as faixas gravadas na década de 1960.
**Sinatra é sempre Sinatra. Animado, dançante, redondo para o ouvido.


UFA!... que venha o feriadão!


quarta-feira, 15 de abril de 2009

Super dica: antes tarde do que nunca


Pessoal, gostaria de compartilhar com vocês uma informação quentíssima que acabo de receber.
No próximo final de semana e no do feriado de maio, a cidade de New Orleans vai sediar um mega evento de jazz.

Nomes de peso alinhados, lado a lado e com um preço super bacana!
Claro que quem mora por aqui tem que desembolsar um tanto com passagem, mas o ticket é só
 US$ 40.

Entrar no site e confiram o New Orleans Jazz & Heritage Festival. Clique aqui.

Quem me dera estar de férias...





segunda-feira, 13 de abril de 2009

Dia 10: triple jazz (com uma paradinha para o Zé Ramalho)


Comecei a manhã  de domingo ouvindo Sinatra, The jazz sides (disco 1). Essa coletânea é de 1979 e traz as seguintes faixas:
Lado A
  1. follow me (Alan J. Lerner/Frederick Loewe)
  2. pennies from heaven (Johnny Burke/ Arthur Johnston)
  3. i'm gonna sit right down and write myself a letter (Ahlert/Young)
  4. it's always you (Johnny Burke/Jimmy Van Heusen)
  5. love walked in (George & Ira Gerschwin)
  6. i can't stop lovin' you (Gibson)
Lado B
  1. please be kind (Sammy Cahn/Saul Chaplin)
  2. my kind of girl (Leslie Bricusse)
  3. nice work if you can get it (George & Ira Gerschwin)
  4. yellow days (Alvaro Carillo/Alan Bernstein)
  5. indian summer (Victor Herbert/Al Dubin)
  6. where or when (Richard Rodgers/Lorenz Hart)
* O que dizer?... Sinatra!

E continuei em ótima companhia:
Masterpieces - Duke Ellington (sem data)


Lado A
  1. mood indigo (Ellington/I. Mills/A. Bigard)
  2. shophisticated lady (I. Mills/Parish/Ellington)
Lado B
  1. the tattooed bride (Ellington)
  2. solitude(E. DeLange/I. Mills/Ellington)
* Só música fina para abrir o apetite (físico e mental).


Pausa para almoço em família. Entro no carro... Mais uma vez Zé Ramalho toca Bob Dylan. E aos poucos as primeiras faixas do disco vão ficando mais palatáveis.

No retorno à noite, música para esquentar o coração.



I can't stop loving you - Ray Charles (1974)
Lado A
  1. i can't stop loving you (Don Gibson)
  2. that lucky old sun (just rolls around heaven all day) (Beasley Smith/Gillespie)
  3. unchain my heart (Agnes Jones/Freddy James)
  4. georgia on my mind (Hoagy Carmichael/Gorell)
  5. cry (Churchill Kahlman)
  6. don't set me free (F. James/A. Jones)
Lado B
  1. hit the road jack (Percy Mayfield)
  2. tears (R. Newell/R. Maxwell)
  3. cherrie (R. Gilbert/D. Redman)
  4. ruby (Heinz Roenheld/Mitchell Parish)
  5. baby don't you cry (Buddy Johnson)
  6. whant'd i say (Ray Charles)
* Tem coisas que a gente só vê com o coração.



O som brasileiro de Sarah Vaughan - Sarah Vaughan (1978)
Lado A
  1. bridges (Milton Nascimento/Fernando Brandt/ Gene Lees)
  2. if you went away (Marcos Valle/Paulo S. Valle/ Ray Gilbert)
  3. triste (Antonio Carlos Jobim)
  4. the day it rained (Durval Ferreira/Pedro Camargo/Ray Gilbert)
Lado B
  1. a little tear (Eumir Deodato/Paulo S. Valle/ Ray Gilbert)
  2. courage (Milton Nascimento/Paul Williams)
  3. roses and roses (Dorival Caymmi/Ray Gilbert)
  4. someone to light up my life (Antonio Carlos Jobim/ Vinicius de Moraes/ Gene Lees)
  5. i live to love you (Oscar Castro Neves/Luverci Fiorini/Ray Gilbert)

* Tão familiar e gostosamente novo. Redescobrir é reconhecer o novo de novo.


sexta-feira, 10 de abril de 2009

o barulho do silêncio


o silêncio
arnaldo antunes
Composição: Carlinhos Brown / Arnaldo Antunes






antes de existir computador existia tevê
antes de existir tevê existia luz elétrica
antes de existir luz elétrica existia bicicleta
antes de existir bicicleta existia enciclopédia
antes de existir enciclopédia existia alfabeto
antes de existir alfabeto existia a voz
antes de existir a voz existia o silêncio
o silêncio
foi a primeira coisa que existiu
um silêncio que ninguém ouviu
astro pelo céu em movimento
e o som do gelo derretendo
o barulho do cabelo em crescimento
e a música do vento
e a matéria em decomposição
a barriga digerindo o pão
explosão de semente sob o chão
diamante nascendo do carvão
homem pedra planta bicho flor
luz elétrica tevê computador
batedeira, liquidificador
vamos ouvir esse silêncio meu amor
amplificado no amplificador
do estetoscópio do doutor
no lado esquerdo do peito, esse tambor


***


Ruínas por você.


o silêncio que angustia
o silêncio que revela
o silêncio vela as angústias de memórias

memórias de um tempo que passou
memórias de tudo aquilo que não voltou
memórias daquilo que não foi mas poderia ser

ser ou não ser?

o silêncio tem seu barulho
o silêncio diz muitas coisas
o silêncio silencia

encarar o silêncio
encarar a si mesmo
encarar a realidade que se constrói

construir algo novo
construir tudo de novo
construir o silêncio e encarar

ser além das ruínas de um passado que já passou

o silêncio de si mesmo
memórias de algo novo
encarar tudo de novo
construir algum barulho

o silêncio grita
as palavras não ditas
as rochas clamam

o caminho em cada passo
as flores por onde ando descalço
e o sol a brilhar

ser além de um futuro que ainda nem começou

o barulho do silêncio, eu sou





Dia 9: jazz, soul, blues, r&b - a guitarra desfiando clássicos e uma voz feminina desafiando a noite



Para os curiosos de plantão, esse é um dos instrumentos usados nessa pesquisa: a famosa eletrola amarela.

Sexta-feira da Paixão... Jazz na vitrola, o ano é 1978, boa safra.

Começamos com George Benson e alguns de seus hits nos tempos de início de carreira. Na década de 1960, Benson se dedicou ao jazz e aos poucos foi se rendendo ao pop e ao r&b ao longo das décadas de 1970 e 1980. Afinal, viver de paixão é viver em curto prazo e Benson partiu para vertentes que lhe renderam mais digitos em sua conta bancária.


The best of George Benson - George Benson (1978)
Lado A
  1. summertime (G. Gershwin/H. Dubose)
  2. the gentle rain (Luiz Bonfa)
  3. the from summer of '42 (Michel Legrand)
Lado B
  1. california dreaming (J. Phillips/M. Phillips)
  2. theme from good king bad (David Matthews)
  3. my latin brother (George Benson)
  4. little train (from bachianas brasileiras n. 2) (Heitor Villa Lobos)
* Só guitarra e mais nada. E precisa de mais alguma coisa?!? Benson escolheu autores seletos para sua discografia e os produtores deste álbum foram corretos na escolha das faixas. Talvez não sejam realmente The Best of George Benson, mas são dignas de um ouvido atento.



Etta James passeou por várias vertentes musicais (soul, jazz, r&b, blues, rock & roll, gospel) com excelência. Seu nome está na calçada em Hollywood, ganhou diversos prêmios (inclusive Grammy) e faz parte do Rock and Roll Hall of Fame. Hoje temos o último álbum dela lançado pelo selo Chess. 

Deep in the night - Etta James (1978)
Lado A
  1. laying beside you (Eugene Record)
  2. piece of my heart (Berns/Ragavoy)
  3. only women bleed (Cooper/Wagner)
  4. take it to the limit (Meisner/Frey/Henley)
  5. deep in the night (Miller/Merriam)

Lado B
  1. loversick blues (Mills/Friend)
  2. strange man (Dorothy Love Coats)
  3. sugar on the floor (Kiki Dee)
  4. sweet touch of love (Allen Toussaint)
  5. blind girl (B. Forster/E. Jordan)

* Recomendo ouvir acompanhado de um bom vinho, queijos de sabor apurado, socol e papo furado. Sem contra-indicações. Não há registros de superdosagem.


quinta-feira, 9 de abril de 2009

Dia 8: fugi da dieta (me perdoem..., foi por uma boa causa)



Ontem a noite chegou o tanto esperado cd do Zé Ramalho: Zé Ramalho canta Bob Dylan - Tá tudo mudando (2008).

Hoje tive de colocar o cd para tocar no carro. Minha curiosidade estava coçando minhas caraminholas pedindo pela novidade saciar a interrogação em minha mente.

Bem... bom. Bom, bom, bom... nem tanto. Acho que o nome correto para o álbum seria mais algo como que Tá tudo mudado. Para fãs do Zé Ramalho o álbum é ótimo, para os de Bob Dylan (olha minha mão levantada aqui no fundo da sala...) nem tanto assim.

A levada das faixas ficaram muitos mais com cara de Zé Ramalho e toadas regionais delá pra suas bandas do que o espírito folk rock de Dylan. Parabenizo pela produção, pelo esforço de escrever versões que encaixassem nossa realidade cultural nas melodias nacionalizadas e ainda tentar manter um quê do Bob Dylan para, nem que fosse de longe, sentir o gosto do original.

Das 12 faixas do álbum, apenas as 5 últimas conquistaram minha atenção de coração e mente. As outras ficaram somente como um fundo musical agradável para dirigir pela cidade no translado casa-trabalho.

Talvez minhas expectativas tenham sido grandes demais. Talvez o álbum seja um produto de nicho. Talvez essa discussão seja uma perda de tempo.

Às vezes me esqueço que o tempero brasileiro, e principalmente nordestino, pesa quando acrescido ao cozido estrangeiro. Meu alívio é ter gostado o suficiente do álbum para não chegar ao final dele com aquela sensação de luz no fim do túnel - o que seria por demais, quase uma sincronicidade, sendo a faixa em questão uma segunda versão de Zé Ramalho para a já cantada canção de Dylan. Batendo na porta do céu - versão II (Knock, knock, knocking on heaven's door) é palatável, interessante: uma nova possibilidade para uma música consagrada, tanto no original quanto abrasileirada.



O post de hoje foi embalado também com som digital. Junto com o álbum Tá tudo mudando, comprei o Segundo Ato do Teatro Mágico. Faixas variadas, texturas exploradas em vertentes diversas, poesia, música, caldeirão de magias. Muito bom mesmo! Recomendo.

E pensar que eles estiveram em Vitória para um show e eu não fui. Deus queira que logo eles voltem. Amém!


Dias 6 e 7: muito trabalho, little free time 4 fun 'n music

Pois é... todo projeto precisa de pontos de flexão. Caso contrário, rui ao primeiro vento forte que abala sua estrutura. Filosofias CREAtivas de lado, vamos ao relatório técnico do experimento.

Na terça e quarta-feira, pouco tempo sobrou para escutar música. Tive de lançar mão do rádio do carro e ouvir a Universitária FM. Dirigi ao som de viola caipira pela manhã cedinho (Raízes Sertanejas), acompanhado pelo vociferante Namy Chequer no horário do almoço (Ponto de Vista) e bem relax com o Só Lounge no início da noite. Carros buzinando lá fora e dentro do carro sozinho bom para colocar a cabeça no lugar e partir para o terceiro tempo.


segunda-feira, 6 de abril de 2009

Dia 5: mais jazz e uma surpresa mpb (e uma decepção de filme...)


Ontem finalizei o dia assistindo o filme Não estou lá (2007) que, supostamente, fala sobre o Bob Dylan. Ai, se decepção matasse... A narrativa faz diversas referências a Dylan em músicas e cenas que lembram sua biografia, não fala o nome dele e nada sobre a vida dele.

Pensei que fosse aprender sobre o Dylan e me deparei com um filme esquizóide. As técnicas narrativas são interessantes, mas esperava por algo completamente diferente. Uma pena!


Playlist de segunda-feira:


Life & Times - Billy Cobham (1977)
Lado A
  1. life & times
  2. 29
  3. siesta + wake up + that's what you said
  4. east bay

Lado B
  1. earthlings
  2. song for a friend (part I)
  3. on a natural high
  4. song for a friend (part II)
* Hoje iniciei a noite com Billy Cobham. Nada espetacular para uma segunda-feira. O álbum do percurcionista panamenho-americano está muito ácido para meu gosto atual. Me lembrou a tendência de muitas músicas eletrônicas atuais que bombam em raves.



O grande circo místico - Edu Lobo & Chico Buarque (1983)
Lado A
  1. abertura do circo (instrumental)
  2. beatriz - Milton Nascimento
  3. valsa dos clowns - Jane Duboc
  4. opereta do casamento - Coro
  5. a história de lily braun - Gal Costa
Lado B
  1. meu namorado - Simone
  2. sobre todas as coisas - Gilberto Gil
  3. a bela e a fera - Tim Maia
  4. ciranda da bailarina - Coro Infantil
  5. o circo místico - Zizi Possi
  6. na carreira - Chico Buarque e Edu Lobo
* Sonoridade maravilhosa. Álbum muito gostoso de ouvir, relaxante. Quase vi a peça rolando na minha mente. Deu até vontade de assistir ao Cirque du Soleil.








Lady Time - Ella Fitzgerald with Jackie Davis & Louie Bellson (1978)
Lado A
  1. i'm walkin' (A. Domino/D. Bartholomew)
  2. all or nothing at all (J. Lawrence/A. Altman)
  3. i never had a chance (Irving Berlin)
  4. i cried for you (now it's turn to cry over me) (Arnheim/Lyman/Freed)
  5. what will i tell my heart (P. Tinturin/J. Lawrence)
Lado B
  1. since a fell for you (Buddy Johnson)
  2. and the angels sing (J. Mercer/Z. Elman)
  3. i'm confessin'(that i love you) (D. Dougherty/ E. Reynolds/ A. Neuburg)
  4. mack the knife (K. Weill/M. Blitzstin/B. Brecht)
  5. that's my desire (H. Kresa/C. Loveday)
  6. i'm in the mood for love (J. Mc Hug/D. Fields)
* Ella é espetacular! Ella é ela... é o cara... rsrsrs Ella brinca de cantar. É prazeroso sentir que a cantora tem prazer em cantar. Chave de ouro para fechar o post do dia, Ella tocando ao fundo...


domingo, 5 de abril de 2009

Dia 4: começa a semana!

Domingo é dia de almoço em família. E eu tinha que cumprir esse ritual.
Fui à casa de minha vó e aproveitei para dar uma olhada nos armários procurando por mais LPs (será que isso vicia?).

Encontrei algumas pérolas e até ouvi alguma coisa por lá.

A tarde se iniciou com um compacto do Beatles (1967)  com as seguintes faixas,



Lado A
  1. anna (Alexander)
  2. chains (Goffin/King)
Lado B
  1. misery (Lennon/McCartney)
  2. i saw her standing there (Lennon/McCartney)
* Animado, divertido. Enfim, Beatles...


seguido de Bryan Adams (eu juro que foi minha mãe quem escolheu...), Reckless (1984)



Lado A
  1. one night love affair
  2. she's only happy when she's dancin'
  3. run to you
  4. heaven
  5. somebody
Lado B
  1. summer of '69
  2. kids wanna rock
  3. it's only love
  4. long gone
  5. ain't gonna cry
* Só para quem gosta mesmo...


e, outro compacto com músicas de Elvis, Sedaka e Anka (1976):



Lado A
  1. breaking up is hard to do (Sedaka/Greenfield), Neil Sedaka
  2. don't be cruel (Blackwell/Presley), Elvis Presley
  3. puppy love (Anka), Paul Anka
Lado B
  1. stupid cupid (Sedaka/Greenfield), Neil Sedaka
  2. tutti frutti (Penniman/Labostrie/Lubin), Elvis Presley
  3. diana (Anka), Paul Anka
* Álbum interessante: me ajudou a entender um pouco melhor a juventude de minha mãe e minhas tias. Músicas de um tempo em que o amor era despretencioso e (talvez) inocente.


Chegando em casa, continuei com o segundo disco de Miles Davies, Milton Nascimento e Baden Powell.



Tallest trees - Miles Davis (1978)
Lado A
  1. bags' groove
  2. smoth
  3. miles ahead
Lado B
  1. airegin
  2. oleo
  3. but not for me
  4. doxy
Lado C
  1. the man i love
  2. swing spring
Lado D
  1. blue haze
  2. round about midnight
  3. bemsha swing
* Sem palavras! Miles Davis é muito bom. Com certeza vai tocar de novo até o fim do mês.



Geraes - Milton Nascimento (1976)
Lado A
  1. fazenda (Nelson Angelo)
  2. calix bento (Tavinho Moura)
  3. volver a los 17 (Violeta Parra)
  4. menino (Milton Nascimento/Ronaldo Barros)
  5. o que será (à flor da pele) (Chico Buarque)
  6. carro de boi (Maurício Tapajos/Cacaso)
Lado B
  1. caldera (Nelson Araya)
  2. promessas do sol (Milton Nascimento/Fernando Brant)
  3. viver de amor (Toninho Horta/ Ronaldo Bastos)
  4. lua girou (arranjo e adaptação de Milton Nascimento)
  5. circo marimbondo (Milton Nascimento/Ronaldo Bastos)
  6. minas geraes (Novelli/Ronaldo Bastos)
* Disco lindo, sonoridade redonda. Parecia que passei a tarde num piquenique no Parque das Mangabeiras em Belo Horizonte (ai! que saudade...).



Love me with guitars - Baden Powell (1976)
Lado A
  1. deve ser amore (B. Powell/V. de Moraes)
  2. choro para metronome (B. Powell)
  3. adagio (Albinoni/Giazotto/ arranjo de B. Powell)
  4. berimbau (V. de Moraes)
  5. samba en preludio (V. de Moraes/B. Powell)
  6. chanson d'hiver (B. Powell)
Lado B
  1. samba triste (B. Powell/B. Bianco)
  2. bercauses a jussara (B. Powell)
  3. prelude (J.S. Bach/arranjo de B. Powell)
  4. euridice (V. de Moraes)
  5. Chaiana (B. Powell/V. de Moraes)
  6. garota de ipanema (V. de Moraes/Jobin/Gimbel)
* Baden Powell faz o violão cantar.


sábado, 4 de abril de 2009

Dia 3: curiosidades e exotismos

Sábado, dia de relax...

Recomendo ouvirem o programa Cuba Libre na Universitária FM (104.7). O programa traz uma seleção do que há de melhor nos anos 50, 60 e 70. Hoje, inclusive teve uma quadro especial sobre tango, contando a história e artistas de destaque.

Vamos os que tocou na eletrola nesta tarde e agora a noite respectivamente:


Isis Moreira, pianista - Isis Moreira (1974)
Lado A
Almeida Prado - Variações, Recitativo e Fuga (Momento no. 5 - "das verdes alturas")

Lado B
Villa-Lobos - Prelúdio, Coral (Canto do Sertão), Ária (Cantiga) e Dança (Miudinho) (Bachianas Brasileiras no. 4)

*Música ao piano com variações interessantes. Ativa o cérebro, sabor exótico.



The best of Sammy Davis Jr. - Sammy Davis Jr (1979)
Lado A
by myself (Schwartz/Dietz)
that old black magic (Arlen/Mercer)
september song (Weill/Anderson)
too close for comfort (Bock/Holofcener/Weiss)
begin the beguine (Cole Porter)
but not for me (G. & I. Gerschwin)
don't get around much anymore (Duke Ellington/Bob Russell)
where's that rainbow? (Rodgers/Hart)

Labo B
something's gotta give (Johnny Mercer)
hey there (Adler/Ross)
when i fall in love (Young/Heyman)
there's a boat dat's leavin' soon for new york (Gerschwin/Heyward)
just one of those things (Cole Porter)
chicago (Fred Fischer)
birth of the blues (Handerson/De Sylva/Brown)
look to your heart (Cahn/Van Heusen)

* Gostosinho para tirar aquele merecido descanso após o almoço no final de semana
. Recomendo ouvir acompanhado.



Lado A
o come, all ye faithful
the first noel
on a snowy christmas night
winter wonderland
the wonderful world of christmas
it won't seem like christmas

*Somente ouvi o lado A mesmo... nem é bem a época do ano, mas valeu a intensão de dar uma quebrada no sábado.


Lady sings the blues - Billie Holiday (1973)
Lado A
miss brown to you
everything a good man needs
no detour ahead
you're driving me crazy
my man
don't be late

Lado B
lover man
don't explain
god bless the child
nobody's business
he's funny that way

*Excelente! Vale a pena ouvir de novo (e acompanhado)!

Esse post foi escrito ouvindo o maravilhoso Tallest trees de Miles Davis, disco 1 (1978). Como sempre, Miles Davis: profundo, inteligente e intensamente suave...




Dia 2: nem tão bom assim


Esta noite ouvi o álbum Double Fantasy (1980), John Lennon & Yoko Ono. Apenas um álbum histórico e nada mais. O mix de faixas é esquizóido e não apresenta um eixo de coerência.

Tem dias que fico pensando até que ponto a bandinha de John e Yoko era realmente "pra valer" e até que ponto era uma sacada comercial para aproveitar a alavancagem do glamour beatle-herdado de John e das fofocas sobre as brigas de Yoko e Paul que levaram ao "fim do sonho".



John e Yoko se alternam no vocal principal nas faixas. As que John
 canta, todos com um "Quê" de folk rock e/ou pop rock usando fórmulas basiquinhas desenvolvidas nos tempos dos Beatles. Yoko por outro lado, aponta para uma lado completamente diferente e canta faixas muito experimentais e, mesmo para ouvidos mais esclarecidos e acostumados ao indie rock e afins pós virada do milênio, esquisitas.





LADO A
  1. (just like) starting over - John Lennon
  2. kiss kiss kiss - Yoko Ono
  3. cleanup time - John Lennon
  4. give me something - Yoko Ono
  5. i'm losing you - John Lennon
  6. i'm moving on - Yoko Ono
  7. beautiful boy (darling boy) - John Lennon

LADO B
  1. watching the wheels - John Lennon
  2. i'm your angel - Yoko Ono
  3. woman - John Lennon
  4. beautiful boys - Yoko Ono
  5. dear Yoko - John Lennon
  6. every man has a woman who loves him - Yoko Ono
  7. hard times are over - Yoko Ono

Achei o álbum super confuso e nada fun. Fiquei decepcionado!